ITBI São Paulo Abril 2026: 20.597 Transações e R$ 12,5 Bi em Volume
Abril de 2026 fechou com 20.597 transações imobiliárias e R$ 12,5 bilhões em volume na cidade de São Paulo. A mediana de R$ 342 mil revela onde está o comprador típico — bem abaixo da média de R$ 609 mil puxada pelos negócios milionários.

Em abril de 2026, a cidade de São Paulo registrou 20.597 transações imobiliárias que pagaram ITBI, movimentando R$ 12,5 bilhões em negócios. O número não vem de anúncios nem de estimativas: é a soma das guias de ITBI efetivamente pagas, ou seja, compra e venda que de fato aconteceu e foi levada a registro. É o retrato mais fiel que existe do que o paulistano realmente pagou pelo seu imóvel no mês.
E é aqui que os dados de transação contam uma história diferente da que se vê nas manchetes. O valor médio de uma transação em abril foi de R$ 609.153,79, mas a mediana ficou em R$ 342.000,00 — quase a metade. Essa distância entre média e mediana é o primeiro recado do mês: o mercado de São Paulo tem uma cauda longa de negócios milionários que infla a média, enquanto o comprador típico se movimenta numa faixa bem mais terrena.
Neste post, o primeiro de uma série sobre o mercado de abril, vamos olhar o panorama geral e o ritmo do mês — quanto se transacionou, em que faixa de preço se concentra a maior parte dos negócios e como essas 20 mil escrituras se distribuíram pelos dias e semanas. Todos os números saem da base de transações reais do Mercado Transparente.
Os Números do Mês em uma Tabela
Antes de qualquer interpretação, vale fixar os indicadores que resumem abril. A tabela abaixo traz as métricas centrais do mês — volume, valores típicos e os extremos da distribuição.
Indicador | Valor |
|---|---|
Total de transações | 20.597 |
Volume financeiro total | R$ 12.546.131.449,96 |
Valor médio por transação | R$ 609.153,79 |
Valor mediano por transação | R$ 342.000,00 |
1º quartil (25%) | R$ 263.908,77 |
3º quartil (75%) | R$ 500.000,00 |
Menor transação registrada | R$ 0,01 |
Maior transação registrada | R$ 165.000.000,00 |
Bairros distintos com registro | 2.442 |
São pouco mais de 20 mil negócios espalhados por 2.442 nomes de bairro distintos — uma capilaridade que mostra como a atividade imobiliária de São Paulo não se resume a um punhado de regiões nobres, mas pulsa do centro expandido até as bordas da cidade. (A geografia desse volume, com os rankings de bairro por preço e por número de negócios, fica para o segundo post da série.)
Os valores acima são os declarados pelo contribuinte na guia de ITBI. Os extremos da base — uma transação de R$ 0,01 e outra de R$ 165 milhões — são reais, mas atípicos: operações simbólicas, corporativas ou de grandes terrenos convivem na mesma planilha que o apartamento de dois quartos. Por isso, ao longo deste texto privilegiamos a mediana e os quartis, que descrevem melhor o comprador comum do que a média.
Média de R$ 609 Mil, Mediana de R$ 342 Mil: Por Que a Diferença Importa
A distância entre a média (R$ 609.153,79) e a mediana (R$ 342.000,00) não é um detalhe estatístico — é a própria assinatura do mercado paulistano. A média é quase 1,8 vez a mediana, e isso só acontece quando um grupo pequeno de transações de valor muito alto puxa a conta para cima.
A mediana é mais honesta com a realidade da maioria: metade de todas as transações de abril ficou abaixo de R$ 342 mil. Quem usa a média como referência de "quanto custa um imóvel em São Paulo" superestima o ticket do comprador típico em quase 80%.
Para quem compra ou vende, a leitura prática é direta: a média serve para dimensionar o tamanho do mercado em reais; a mediana serve para calibrar expectativa de preço. São perguntas diferentes, e misturá-las leva a decisões erradas — seja anunciar caro demais, seja achar que não há nada acessível na cidade.
O Miolo do Mercado: a Faixa de R$ 264 Mil a R$ 500 Mil
Se a mediana diz onde está o centro, os quartis dizem onde está o corpo do mercado. Entre o 1º e o 3º quartil concentra-se a metade central de todas as transações de abril — o que costumamos chamar de miolo do mercado residencial.
Faixa | Valor de corte | O que representa |
|---|---|---|
25% mais baratas até | R$ 263.908,77 | Piso do miolo |
Mediana (50%) | R$ 342.000,00 | Centro da distribuição |
25% mais caras a partir de | R$ 500.000,00 | Teto do miolo |
A leitura é a seguinte: metade dos negócios de abril aconteceu entre R$ 263.908,77 e R$ 500.000,00, uma amplitude de cerca de R$ 236 mil. Um quarto das transações ficou abaixo desse piso e outro quarto, acima do teto.
Essa faixa é o terreno onde a maior parte dos compradores e vendedores de imóveis residenciais efetivamente se encontra em São Paulo. Para quem está precificando um apartamento para venda, é dentro desse intervalo que se ganha ou se perde liquidez: anunciar muito acima do 3º quartil é entrar no terço mais restrito do mercado; ficar abaixo do 1º quartil costuma significar imóvel menor ou região mais periférica. É também nessa faixa que pesa o tipo de crédito usado na compra — assunto que o terceiro post da série destrincha, do SFH ao Minha Casa Minha Vida.
A Semana Imobiliária de São Paulo Tem Cara de Dia Útil
Quando se olha em que dias da semana as guias de ITBI foram pagas, o mercado revela uma rotina marcadamente corporativa. Das 20.597 transações, praticamente todas se concentram de segunda a sexta.
Dia da semana | Transações | % do mês |
|---|---|---|
Segunda | 4.145 | 20,1% |
Terça | 3.792 | 18,4% |
Quarta | 3.604 | 17,5% |
Quinta | 4.001 | 19,4% |
Sexta | 4.923 | 23,9% |
Sábado | 105 | 0,5% |
Domingo | 26 | 0,1% |
Total | 20.596 | 100% |
Os dias úteis respondem por 99,4% do movimento; fim de semana, por meros 0,6%. A sexta-feira é o pico absoluto, com 4.923 transações (23,9%) — quase uma em cada quatro do mês inteiro. O domingo, no extremo oposto, mal aparece, com 26 registros.
O padrão faz sentido: pagar ITBI e levar uma escritura a registro é um ato burocrático, que depende de cartórios, bancos e prazos de fechamento — todos operando em horário comercial. A concentração na sexta sugere o fechamento de negócios e liberações de crédito empurrados para o fim da semana de trabalho. Para o comprador, fica a dica logística: as etapas finais de uma compra são, na prática, um expediente de dia útil.
A distribuição por dia considera as 20.596 transações com data de registro válida na base de abril (uma das 20.597 guias não trazia data utilizável). A diferença não altera os percentuais.
O Ritmo do Mês: a Segunda Semana Concentrou Um Quarto dos Negócios
Distribuir as transações pelas semanas do mês mostra que abril não teve um fluxo uniforme. Houve uma aceleração nítida logo no início e um arrefecimento no fechamento.
Semana | Transações | % do mês |
|---|---|---|
1ª semana | 2.821 | 13,7% |
2ª semana | 5.298 | 25,7% |
3ª semana | 4.142 | 20,1% |
4ª semana | 4.732 | 23,0% |
5ª semana | 3.603 | 17,5% |
A segunda semana foi o auge do mês, com 5.298 transações (25,7%) — mais de um quarto de todo o volume de abril em sete dias. A primeira semana foi a mais fraca (2.821, 13,7%), o que é natural: registros e guias do início do mês costumam refletir negócios fechados ainda no fim do mês anterior, e o pipeline leva alguns dias para encher.
Da segunda à quarta semana, o mês manteve patamar alto e relativamente estável, antes de recuar na quinta semana — que, sendo parcial, naturalmente acumula menos dias. Esse desenho de aceleração-e-platô é típico de um mês saudável: o mercado pega ritmo, sustenta e desacelera só na virada. Para vendedores, é um lembrete de que o tempo de fechamento e registro tem inércia própria — o que se decide vender hoje raramente vira escritura na mesma semana.
O Que Esperar dos Próximos Posts
Abril de 2026 entrega um mercado robusto e líquido: 20.597 transações, R$ 12,5 bilhões movimentados e um comprador típico ancorado na faixa de R$ 264 mil a R$ 500 mil, com mediana em R$ 342 mil. A distância entre essa mediana e a média de R$ 609 mil é o lembrete de sempre — São Paulo é, ao mesmo tempo, um mercado de massa e um mercado de exceções milionárias, e ler os dois com a métrica certa faz toda a diferença para quem compra ou vende.
Há ainda um número que merece capítulo próprio: em abril, o valor declarado nas transações ficou, na média, 36,4% abaixo do valor de referência da Prefeitura — o tipo de informação que só dados de transação real revelam e que exploramos em profundidade no quinto post da série. É justamente essa diferença entre o preço pago e os números de tabela que separa o Mercado Transparente de qualquer índice baseado em oferta.
Este foi o panorama. Nos próximos textos da série sobre abril, vamos descer ao detalhe: a **geografia do dinheiro**, com os bairros que mais concentraram volume e valor; o **financiamento**, mostrando como os paulistanos pagaram pelos imóveis, do crédito tradicional ao Minha Casa Minha Vida em alta; as **maiores transações do mês**, separando o residencial das grandes operações corporativas; e, por fim, a anatomia do **desconto de 36,4%** sobre o valor de referência. Para explorar cada negócio por rua e bairro, a base completa está sempre disponível no Mercado Transparente.
